• Gabriela Doti

Caveando

Atualizado: 5 de Out de 2018

Uma viagem surreal e muito divertida com personagens muito inusitados pelo mundo da Champagne...imagina só no que vai dar isso!!!


Ontem tive uma reunião com um dos Elefantes de Salvador[1] para prospectar quanto me custaria contratar um tour de mil quilômetros pelas Cavas de Epernay e Reims[2].

Ele me encarou muito seriamente e disse enfaticamente que sozinho não podia. Ele precisaria levar seu irmão no Tour, como também consultar Salvador, pois veja que é um trajeto beeem longo. E, de repente, eles poderiam se cansar se ele fosse apenas sozinho.

Junto ao irmão, pensaram, falaram com Dalí e, bem, começaram a rascunhar o que seria uma espécie de Tratado às Cavas de Champagne. As exigências para o tal tour eram: nada de ratos, deveria ser providenciada grama das quadras de tênis de Wimbledon, desde que tratada com chocolate Suiço, salpicado com gotas de uma Bollinger special cuvèe.

Perguntei aos dois: por apenas mil quilômetros, só isso está bom, não acham? 

O que mais querem? Que tal um pouco do ar do Himalaia? Ou um chocolate quente com panada Piazza della Signoria? E o que acham de estendermos o tapete da Rainha da Inglaterra pelo piso das Cavas, quem sabe assim não machucam menos essas suas patinhas de girafa, hein?!!!

Os Elefantes se entreolharam e pensativos responderam:

Perfeito, já que vamos caminhar levemente ajoelhados a maior parte do tempo... 

NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!! Estou brincando rapazes!!! Digam a Dalí que isto é um assalto!

É um tour muito mais caro que ir de carro “por las cornisas con una golondrina en el motor”.[3]

E tem mais uma coisa que não entendo, o que vão fazer com tanta grama?

Os Elefantes, Paco e Saura, se entreolharam novamente e responderam em uníssona: para a aposentadoria. Estamos preparando nossa reserva.

Atônito sigo lendo o tal Tratado e, nas páginas a frente, há uma nota em letras mais miúdas que as formigas transparentes da casa de minha tia Anacleta, que tenho que pôr uma lente aumentada em dez pra ler. 

Bem, dizia assim: “É imprescindível que, para conduzir o tour pelas Cavas de Champagne, a cada parada, seja servida água de acácia das Savanas Africanas a Paco e Saura, cláusula irrevocável.”

Ah sim! A outra dizia que “Os Elefantes precisam receber massagens nos joelhos. Mas isso pode ser de vez em quando, caso solicitem. Seria bom também, como música-ambiente, que pudesse ser ouvido o Concerto de Aranjuez e, fazer uma pausa, de vez em quando, para assistirem o filme Carmen. Este poderia ser projetado quando adentrassem na Cava de Veuve Clicquot.”

UAU!!!

Mas tchê, Paco e Saura, me digam uma coisa, sou eu ou são vocês que estão me contratando para levar vocês pra passear pelas Cavas? 

Não entendo.

De repente, percebi que se Elefantes podem ter pernas de girafa, eu também podia fazer algo diferente.

Pedi aos Elefantes um tempo para pensar e que voltaríamos a nos falar em breve.

Dias depois, quando nos reencontramos, estabeleci minhas condições: 

foram aceitas.


Então, partimos eu, Paco, Saura, Freud, Woody, Pepe il Canard, o Duende Horácio, Van Gogh (Goghy para os íntimos), Miles, o do Trompete, o Oráculo de Salvador, Piazzolla e Betty Ausfahrt[4], a Alpaca, rumo ao tour pelas Cavas de Champagne.




[1]“Os Elefantes” é uma das obras-primas do pintor espanhol surrealista Salvador Dalí.

[2]Epernay e Reims estão situadas na região de Champagne, na França, local repleto de Cavas. Estas são construções subterráneas, com longos túneis , formando uma especie de labirinto, onde se produz e se faz a guarda do Champagne.

[3]Trecho extraído da música “Balada para un Loco” de Horacio Ferrer e Astor Piazzolla. Está escrita em Lunfardo, dialeto de Tango do Rio da Prata, cujo trecho quer dizer “sair de carro pelos telhados com uma andorinha no motor.

[4]Saída em Alemão.




♪ ♪ ♪


♪ Sugestões da Playlist das Crônicas de um Mundo Nada Particular


Balada para un Loco, Astor Piazzolla, Horacio Ferrer / Intérprete, Roberto Goyeneche

Concierto de Aranjuez, Joaquín Rodrigo / Intérprete: Paco de Lucia

Concierto de Aranjuez, Joaquín Rodrigo / Intérprete: Miles Davis

Carmen-Preludio (1o ato), Georges Bizet

Carmen-Habanera, Georges Bizet


#mundonadaparticular #gabrieladoti #musica #arte #cultura #mundo #gastronomia

2017 © Copyright// Doti Produções