• Gabriela Doti

Na Rua do Descompasso Virtual

Atualizado: 13 de Out de 2018

7 bi e um trono. Será que o Google tem reposta pra essa equação?



Sim, funciona.

A caneta. Sem a tampa.

Não sei por quanto tempo.

Não.

Mas, definitivamente não é um desenho o que você vê.

Claro que não!

Nem também minha assinatura.

É a prova cabal de que a caneta funciona.

Pois é. Assim é a vida. Deixamos de experimentar de tudo, pois morremos de medo a respeito do universo da possibilidade estatística do cinquenta por cento do acaso do “e se” a coisa NÃO funcionar, vier a se confirmar.

Somos uns idiotas.

Como se o NÃO funcionar impedisse a vida de continuar. Ou, de escrever…

Mas bem, o que vamos fazer?

Ok. Enough!

Sim. Estilizado.


O que acontece es que la banda está borracha e que Paco estava sentado na Rua do Descompasso.


Sim.


Sobre isso me debrucei a escrever.


Essa era a ideia original e NÃO o da caneta.


A caneta, definitivamente, NÃO importa.

Veja você como, às vezes, damos um inexplicável peso ao que NÃO precisamos...

Bem, se dizia que, Paco adorava falar bem sentadinho a partir do Trono da Razão. E, o que acontece, é que, na realidade, ele passou toda a vida assim: sentado no Trono.


Ah, sim! E também nunca se mudou dali. Sempre viveu na tal Rua do Descompasso.

Pobrezinho, um Rei perdido. Na realidade, mais um, dentre os outros sete bilhões de human beings. Bem, afinal qual seria a diferença em adicionar mais um na contabilidade dos sete?

Incrível: somos 7 bi. Uau!


E, o que faz tanta gente? Aonde vive? Como vive? E o que quer?


Penso como seria montar um quebra cabeça sentado no Trono da Razão de Paco. Imagine você!

Eu acredito que nem a Via Láctea teria Espaço suficiente para encaixá-lo.

Mas bem, acho que isso seria como viver na tal Rua do Descompasso, não?


Ahhhh! Pronto!

Agora já entendi porque inventaram a tal da Internet: para acomodar o quebra cabeça do Paco! Sim. Lógico. E pro que mais poderia ser?
Acredito que agora temos um descompasso virtual.

Veja você que bonito: te leva a qualquer lugar, onde você quiser. Quando menos você espera, você tem todas as possibilidades em fagulhas a tua frente. Sim…tens todos os caminhos.


É “quase” um oráculo, mas virtual.


Acho que talvez vamos brigar até amanhã por causa de um tal de “quase”.


Sim, pois afinal você não vai me dizer que a internet do Paco é um Oráculo de verdade, não?


Mas, por favor, não confundas o Google com o “Oráculo”. Pode ser que seja genial e tudo o que você mais quiser, mas este papo está ficando muito sério e está começando a perder a graça.


Vamos, então.


Frutilla estava sentada toda carmin e doce em uma salada. Na realidade, ela estava sentada flutuando no Mar Tropical das Laranjas.




De repente, ela se transforma em purê. E a acidez da vida a transforma na energia que faltava pra completar o quebra cabeças virtual do 7.000.000.001 internético Paco do Trono da Rua do Descompasso. Só que, não.

NÃO deu: ele esqueceu a seña.


E o que faço agora?


Sei lá, Paco! Pergunte ao Oráculo…


Óbvio! Vou perguntar pro Google. É claro!


NÃO!


Acho que não me entendestes. Vá consultar o Oráculo,  o verdadeiro,  o insubstituível.


Mas Paco, como era Rei, deu de ombros e continuou a Googlear.

Que pena! Não entendeu nada da vida. Foram anos e anos perdidos em pesquisas. Tinha quase 7 bi de telas abertas. Já nem sabia mais onde estava, nem o que buscava.

Mais tarde, Paco e a Frutilla, finalmente, se encontraram.

Paco logo reconheceu o aroma e o sabor. Frutilla, o ácido.

Os dois frente a frente agora tinham exatamente o mesmo tamanho.

Frutilla se deu conta que Paco ainda continuava sentado no Trono. Ela ri e pergunta: ainda continuas aí?





Paco, meio encabulado, diz: bom, passei tanto tempo sentado no Trono que acho fiquei colado. Agora tenho que carregá-lo por toda a eternidade.


Frutilla quase vira purê: cai na risada e não consegue parar…


Paco fica tenso, nada incomum, e diz: bem Fru-Fru, também não é pra tanto. No fim das contas muito fiz, se não fosse por causa do Trono.


Frutilla seca as lágrimas de riso, se recompõe, suspira, fita Paco e diz: olha, quem fez alguma coisa não foi esse aí. Foi o purê.


Paco não entende nada e retruca: de que purê você fala? Ficou doida?


Frutilla rebola o olhar e responde: falo do MEU purê. EU sou o purê que fez alguma coisa.


E? Diz Paco, enquanto sacode o Trono.


Sim, se não fosse pela salada, as cores de minhas amigas frutas, minha cor, em especial (claro!), não terias inserido a colher, a fim de usufruir de um minuto de felicidade eterna e, portanto, não me terias submergido em teu mar de acidez. Não?


Sim. Mas, o que é que eu tenho com isso, Fru-Fru? Conquistastes a América agora por causa disso?

Não, já que não há nada pra ser conquistado: eu vim pra desfrutar da vida. 

Vim pra explodir em sabores, nadar em sucos, transformarme em purê pra te dar prazer, mesmo que seja por um segundo.


Não preciso sentar em um trono e, menos ainda, viver sentado em algum.

Na realidade, são os tronos que me procuram.


Paco fica pensativo.


Frutilla diz: mas pare com isso!

Até quando vais ficar aí pensando?

De repente, não há mais Trono.


Paco diz: acho que estou mais leve!


Frutilla começa a girar feito peão e desaparece.


Paco relembra a senha.


Encaixa, então, a última peça do quebra cabeças.

Ordena que troquem o Trono por frutillas e termina por oferecê-las ao Povo.


A caneta continua funcionando.


Minhas ideias hoje se esgotaram.


Vamos fazer algo diferente?


Por que você aí do outro lado não termina esta história?


É realmente interessante como perdemos o fio da meada quando estendemos as coisas...


Bem, então a começar a desembaraçar outro novelo, mas, outro dia, é claro, porque aqui, aqui… paro eu.


♪ ♪ ♪



♪ Sugestão de música da Playlist Mundo Nada Particular


Pantalla Virtual, Gabriela Doti


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